sexta-feira, 30 de maio de 2014
10 maneiras de estragar um filho...
10 maneiras de estragar um filho
Estragar os filhos é um privilégio dos pais, afinal, eles não conseguem se estragar sozinhos. Siga estes 10 passos a seguir e deixe seu filho completamente estragado.

- Bons pais sempre se esforçam em agradar suas crianças, pois a ausência deve ser compensada com muitos brinquedos, mimos e guloseimas. Eles são os reizinhos do lar e temos que agradá-los e satisfazer todas as suas vontades. Afinal, eles são os mais bonitos, espertos e inteligentes filhos que um casal pode ter.Seguindo os passos abaixo, você criará adultos dependentes, mimados, que esperam que o mundo satisfaça todos os seus desejos ao menor comando deles. E se não conseguem, se deprimem, tornam-se rebeldes, usuário de drogas ou de autogratificação.
1 - Fique ausente por todo o dia e traga trabalho para casa
Quando seu filho quiser sua atenção, ou mostrar algo, finja ouvir e faça hum hum. Assim ele pensa que você respondeu e lhe deixa em paz para trabalhar ou navegar em redes sociais.2 - Não façam refeições em família
É um hábito ultrapassado onde os pais têm que presenciar os filhos brigando, ou o cônjuge reclamando. Caso seja forçado a fazê-lo aproveite este tempo para enviar sms ou navegar nas redes sociais pelo celular.3 - Não lhes ensine princípios religiosos ou morais
Não dê conselhos também, para isso você teria que despender tempo em aprender primeiro, ou quem sabe até frequentar uma igreja. Além de tudo ter que ser exemplo de honestidade e caráter moral é cansativo, exige autovigilância constante e traz dificuldades, discussões, desperdício de tempo em longas reuniões familiares. Orar com elas antes de dormir ou contar histórias toma um tempo precioso que você poderia usar para adiantar alguns memorandos ou relatórios para o dia seguinte.4 - Recompense-os
Vamos concordar, vocês pais têm trabalhado demais e dado pouca atenção aos filhos. Fácil resolver. A culpa nesses casos ajuda muito. Vocês devem enchê-los de presentes. Quanto mais caros melhor. Dê-lhes tudo o que pedirem. Nunca digam "não". Afinal os pobrezinhos já sofrem com o tempo que vocês têm que trabalhar por eles, não é?5 - Trate-os como propriedades
Esse vale mais para as mães. Afinal, quem é a rainha do lar? O pai é só um coadjuvante, que traz o alimento para casa, ele não entende de criar crianças. Foi a mãe quem os pôs no mundo e o pai não precisa fazer parte da educação dos filhos. Aliás, quanto mais distante ele estiver das crianças, melhor. Se a mãe ainda falar dele de maneira a diminuí-lo aos olhos dos filhos, mais estrago causará aos pequenos.6 - Não os repreendam
Deixe-os ter liberdade de expressão e falar tudo o que quiserem, inclusive palavrões. Ache graça disso. Ria e eles rirão também e repetirão o palavrão várias vezes, inclusive na frente de outras pessoas. Expressar a raiva também deve ser direito das crianças. Gritar, fazer birra, brigar e bater em outras crianças ou mesmo nos pais é apenas uma maneira inofensiva de extravasar a raiva. Autocontrole é um conceito burguês e que fere a liberdade individual.7 - Nunca os responsabilize por nada
Crianças são crianças, dar-lhes responsabilidades ou limites é tirar parte de sua infância. Elas não têm que ter tarefas em casa, isso é coisa de adultos. Deixe para a babá recolher os brinquedos ou roupas que elas deixam espalhados. Afinal é para isso que ela é paga. Quando vão mal na escola, não estudam ou brigam com os colegas, a culpa é dos professores. Vá até a escola e brigue com todos. Afinal seu "bebê" é a criança mais doce e inteligente do mundo. Se estragarem os tênis, o uniforme, a roupa de marca ou sumirem com o celular, reponham imediatamente. Seus filhos não devem parecer ter menos condições financeiras que os colegas.8 - Briguem na presença deles
Afinal, após tantos mimos, eles têm que entender que a vida é cruel e que os pais brigam. Exponham os defeitos um do outro. Quando o marido der uma ordem ou limite, a esposa pode intervir se achar que tal ordem não deve ser dada e dizer isso ao pai com o dedo em riste, para que os filhos entendam que têm uma defensora. Da mesma forma o pai deve desautorizar a mãe. Isso vai ajudar muito a estragá-los, além de deixá-los confusos sobre o que ou a quem obedecer.9 - Proteja-os do mundo e das pessoas más
O mundo é perigoso e eles são apenas seus bebês. Mesmo que já estejam na adolescência. Não confie neles para saírem sozinhos, encham-lhes de medo e apreensão. Assim eles ficam em casa e vocês pais não precisam se preocupar com sua segurança. Não os deixem voar sozinhos, ter experiências próprias e nem sair de casa, mesmo que já tenham 40 anos.10 - Evite o contato físico
Principalmente o pai. Abraçar e beijar seus filhos, dizer que os ama, deixe para a mãe. Afinal os filhos podem se aproveitar para manipulá-lo. Isso pode denotar fraqueza, é coisa de maricas. Esconda seus defeitos e seja invulnerável, o superpai que nunca falha.Seguindo esses 10 passos, com certeza os pais criarão filhos estragados, despreparados para a vida e infelizes. Estragar crianças é muito fácil. Difícil é amá-las, dar exemplo, limites, responsabilidades, direção, ensinar o valor das coisas e os valores da vida, repreender quando necessário e elogiá-las na medida certa."O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade." Karl Mannheim
O jardim-de-infância dos meus filhos
Ninguém levantava a voz, mas quando era preciso a criançada era
posta na ordem
As crianças passam a maior parte
das suas vidas em escolas e creches e quanto mais pequenas mais tempo passam
nas creches e nas escolas. Se virmos bem, tirando os fins-de-semana e as
férias, elas só vão a casa comer, tomar banho, ver televisão e dormir. Ou seja,
as creches são muitas vezes as primeiras casas dos nossos filhos.
A primeira vez que entrei numa
creche para deixar o meu filho com dois anos foi um momento inesquecível:
dezenas de crianças do mesmo tamanho (grande parte delas a chorar) e divididas
por salas que iam dos meses de idade aos cinco anos. O meu filho lá ficou, a
chorar, e eu fui trabalhar com uma nuvem em cima da cabeça. Quando voltei para
o ir buscar disseram-me que ele tinha parado de chorado passado pouco tempo de
o ter abandonado, que tinha feito cocó duas vezes, que tinha comido bem e que
também tinha feito uma sesta razoável. Um dia ele deixou finalmente de chorar e
entregou-se ao destino. A creche tinha imensas crianças, imensas regras e
imensos horários. Nós, pais, sabíamos pouco do que ali se passava porque não
podíamos entrar na escola sempre que nos apetecia ou sem razão. O relato era
feito de tempos a tempos pela educadora, que nos ia informando da evolução nas
necessidades orgânicas da criança e pouco mais e a avaliação versava sobre
coisas como o desembaraço da criança a apertar os sapatos. Era à confiança. Era
tudo uma questão de confiança. Toda a gente me tratava por "mãe" e
para conversas mais prolongadas ou detalhadas marcava-se uma reunião. Fui
infeliz naquela creche. Apesar de ser uma excelente creche, com excelentes
instalações, educadoras com óptimos currículos e regras imbatíveis.
Até que descobri outra creche.
Nesta creche havia a sala de cima e a sala de baixo. Depois havia a oficina,
bicicletas sem pedais e com pedais, a cozinha, dois coelhos, pintos, duas
árvores a que se podia trepar e até areia. Ninguém me chamava "mãe",
tratavam-me todos pelo nome e ao meu filho tratavam pela alcunha. A natureza
das actividades variava: se estivesse bom tempo iam à praça, iam à serra, iam à
praia, pisavam uvas, iam ao parque dos baloiços, e se estivesse a chover faziam
bolos e bolachas, teatros, desenhos, o jogo das cadeiras e até havia o dia ao
contrário: as crianças iam de pijama para escola e começavam o almoço pela
sobremesa. No arraial do final do ano saltávamos todos à fogueira. Cada um
punha o seu lugar à mesa e só aos cinco anos é que começavam a fazer fichas.
Faziam os desenhos e as brincadeiras mais incríveis e por cada obstáculo que
conseguiam ultrapassar (subir a uma árvore ou andar de bicicleta, por exemplo)
organizava-se uma festa. No Natal éramos nós, pais, quem fazíamos figura de
parvos no teatro. Ali não havia regras imbatíveis e todos eram disciplinados.
Ninguém levantava a voz mas quando era preciso a criançada era posta na ordem.
Os meus filhos andaram lá todos e
chegavam mesmo a chorar quando não iam ao jardim infantil ou quando os iam
buscar. Eu entrava lá sempre que queria e conhecia os pais e os avós da
criançada toda. Este jardim-infantil ajudou-me a educar os meus filhos. Não os
educou por mim nem os entreteve por mim. Ajudou-me a educá-los e a fazer com
que cada dia que eles ali passaram fosse um dia feliz. E foram. Todos. Nunca
conheci nada parecido com O Pinhão, mas acho que todas as crianças deviam ter direito
a passar mais de metade da sua infância em sítios assim. Em que se dá mais
importância à brincadeira e à auto-estima de cada um deles do que ao
desembaraço a fazer os laços dos sapatos ou às fichas de ortografia. É que até
aos cinco anos, meus senhores, as crianças deviam passar os dias a brincar e
pouco mais.
Escreve ao sábado
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