domingo, 29 de junho de 2014
sábado, 28 de junho de 2014
João dos Santos, médico psiquiatra, psicanalista, pedagogo
João dos Santos no século XXI
- Cada pessoa guarda um segredo. O segredo do homem é a própria infância.
6 de Setembro de 2013 *
O Jardim Infantil Pestalozzi (uma escola de ensino pré-escolar e 1º ciclo do ensino básico) foi fundada em 1955 por Lucinda Atalaia, pedagoga e professora com uma prática determinada por ideias avançadas de personalidades da época que se destacavam pelo saber científico relativo à criança e por uma filosofia humanista de educar. Hoje, a instituição continua a manter presente o pensamento de ideólogos que ela elegeu: João dos Santos, Rui Grácio, Maria Amália Borges e Agostinho da Silva.
“Cada pessoa guarda um segredo. O segredo do homem é a própria infância.” diz João dos Santos com a autoridade da sua sólida e profunda formação e a poética narrativa com que comunica.
A confirmar e a ampliar esta ideia, escritores e artistas dão especial relevo à memória da criança que foram, às vivências da sua própria infância e à infância dos outros.
Matilde Rosa Araújo, poetisa e escritora, grande amiga da Lucinda, visita estimada e próxima dos meninos do Pestalozzi, cuja obra continua hoje a ser lida e bem conhecida por eles (meninos) anota na sua coletânea de textos “A infância lembrada”:
“Entender a profundidade e utilidade [...] da infância deve estar presente em todos que a ela se dediquem.”
São inúmeros os poetas e escritores da língua portuguesa de que ela recolhe os mais belos escritos sobre o tema.
Também no “desassossego” pessoano encontramos referências significativas sobre o tema.
“Infantil de absurdo, revivo a minha meninice, e brinco com as ideias das coisas […].”
“Escrevo e choro a minha infância perdida; demoro-me comovidamente sobre os pormenores de pessoas e mobília da velha casa na província; evoco a felicidade de não ter direitos nem deveres, de ser livre por não saber pensar nem sentir [...].”
E mais diz Fernando Pessoa, alargando o campo das ideias:
“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos [...].”
Que dizer da belíssima pintura de Picasso, do período azul, “A menina e a pomba”?
Quanta harmonia e ternura, apelo à proteção, essa imagem nos evoca!
A escola é o sítio onde se impõe aprender. Da pré escolaridade que se deseja livre, estimulante e evolvente, continuadora da ação materna, passa-se à escolaridade básica onde a exigência e o rendimento têm mais a ver com a atitude e função paterna para conduzir ao saber sistematizado e programado, à autonomia e sociabilização. Não significa isto que a escola deva promover uma formação que torne a criança numa máquina de aprender, acrítica, competitiva, submetida a uma disciplina pouco promotora da individualidade e da liberdade criativa.
“Ser criança não é um vácuo, não é só uma promessa com maior ou menor conteúdo: é uma realidade presente do ser sofredor e pensante [...].” diz-nos Matilde Rosa Araújo.
Mas a criança não tem autonomia, não pode ser vista desenquadrada dos pais e do seu meio familiar.
Sentiu-o Lucinda, já nos anos 50 e 60 quando nisso pouco se pensava e uniu-se a João dos Santos para promover e defender, na escola, uma estreita ligação dos pais à vida escolar dos filhos.
João dos Santos foi com ela o principal impulsionador desta ação.
Hoje a criança continua a ser, no Pestalozzi, o centro das nossas atenções no seu estar e sentir que determinam o aprender.
Defendemos uma escola humanizada onde o afeto seja a mola real do que se sente e retém, onde a imaginação se solte no pensar e no comunicar, onde a criatividade ocupa lugar de destaque a par do rigor de observar, elaborar, deduzir e generalizar, orientação primeira para a objetividade científica.
A habilidade e treino do fazer com as mãos, movimentar o corpo, torná-lo expressivo, implicado e coordenado com o pensamento é mais uma faceta do trabalho de educar onde João dos Santos está presente.
O Jardim Infantil Pestalozzi foi, com outras poucas escolas do tempo da ditadura, um local de inovação pedagógica, de educação para a democracia.
Continua com as mesmas preocupações não arregimentado na corrida aos “rankings”, à ideia falseada de rendimento e competência.
Prosseguimos o caminho preocupados com o sucesso dos alunos, com a sua sólida e adequada formação, atendendo às caraterísticas de cada um, à valorização dos seus diferentes saberes, à comunicação com os pais e familiares que nos ajudam a educar e instruir crianças felizes.
Mencionando de novo João dos Santos:
“Na minha escola primária pouco mais aprendi, e mal, do que utilizar alguns instrumentos de cultura, a escrita por exemplo. É importante mas não é tudo.
O mundo das coisas – a escrita é uma coisa – não se movimenta, não se dinamiza, não se torna interessante e belo sem o mundo dinâmico das pessoas” e mais “Só é bom saborear a vida, quando se saboreou a doçura da infância”.
Que no Pestalozzi cada menino possa viver e aprender saboreando a doçura da infância é, continua a ser, o nosso mais firme desejo.
Lisboa, 6 de Setembro 2013
Maria Manuela Cruz
* Comunicação na Conferência “João dos Santos no século XXI” proferida pela Professora Manuela Cruz e a Equipa do Jardim Infantil Pestalozzi , 6 de Setembro de 2013
COMO E QUANDO ENSINAR - JOÃO DOS SANTOS
COMO E QUANDO ENSINAR
João dos SantosEnsaios sobre educação. – Lisboa, 1982: 2° v: O falar das letras
A pedagogia, que devia inspirar os professores para desenvolver psiquicamente cada criança, de acordo com as suas aptidões básicas, corre o risco de se deformar com vista à promoção de um ensino académico mecanizado de leituras e conhecimentos que não tenha em conta os conhecimentos que a criança adquiriu espontaneamente na comunidade.
A psicologia métrica dos laboratórios, desligados da educação e da pedagogia, pode vir a dominar e a dirigir tecnicamente a escola e os professores, na crença de que são os conhecimentos científicos teóricos sobre o desenvolvimento da criança que devem explicar a “arte de educar” e decidir de como e quando ensinar.
Uma pedopsiquiatria insalubre, que à força de medicamentos com os quais os fabricantes pretendem resolver todos os problemas psicológicos a pretexto de que é organicista, pode impedir a resolução espontânea dos desvios do desenvolvimento psíquico, imbecilizando as crianças, tomando-as incapazes de aderir aos processos de aprendizagem.
As técnicas psicopedagógicas e médico-pedagógicas podem ajudar e resolver muitas situações mas só a educação e os educadores podem prevenir a maior parte dos desvios da evolução infantil.
A criança de hoje encontra-se muitas vezes perdida numa sociedade donde tende a ser segregada pela “civilização do automóvel”, pela falta de espaços livres, pela poluição e pela tecnocracia educativa. A criança vive, muitas vezes, na inquietação e na tristeza, que não tem tempo para expandir os seus sentimentos, nem espaço para se exercitar na actividade lúdica e educativa.
Porque a ciência que liberta o Homem pode ser utilizada para o oprimir … Porque a técnica que serve o Homem pode ser utilizada para o torturar … Porque a cultura que é do Homem, pode ser instrumento da sua submissão a culturas que lhe são estranhas … Porque tudo quanto nos torna mais livres pode vir a escravizar-nos … Há que proclamar que todo o Poder da Ciência, da Técnica e da Educação deve ser, em cada momento, desafiado pela fantasia e pela acção do Homem. Há que proclamar o direito à fantasia e ao pensamento actuante.
Porque os direitos do Homem e os direitos da criança, consignados nas leis se não cumpriam, foi necessário proclamá-los na solenidade de magnas assembleias … para que a nossa perplexidade perante o que ouvimos nos salvasse da ignorância cúmplice de não cuidarmos quanto devíamos, nem do Homem nem da criança que trazemos dentro de nós, para que soubéssemos que a nossa condição humana nos exige o conhecimento de tudo quanto não se faz e não se cumpre da lei humana fundamental que é a de, como pessoas e como comunidade, cuidarmos do bem-estar das crianças que vão amanhã dar continuidade às nossas obras.
Por sabermos, agora, sem possibilidades de fugirmos à responsabilidade, porque a lei foi escrita, que os direitos da criança se não concediam, apesar de todas as leis anteriormente escritas e não escritas … temos de duvidar, de pôr à prova, de reflectir e de constantemente rever todas as leis que às crianças se referem, para que possamos proclamar de novo que, tal como a ciência, a técnica e a cultura, a Declaração dos Direitos da Criança pode servir o Homem ou pode reduzir a criança a uma coisa banal que se manipule ou se deixa manipular.
As declarações não são ouvidas e entendidas por todos da mesma forma. Nada nos impede de pensar que aqueles que parecem seguir a melhor das interpretações sobre o que é o bem-estar da criança possam vir a provocar o mal-estar dos homens.
Há que proclamar uma vontade colectiva de criar. Há que proclamar a nossa vontade de acompanhar a par-e-passo as nossas crianças, desde que nascem até que sejam pessoas pequenas e até que sejam pessoas grandes …
DIALOGAR SOBRE A INFÂNCIA
Há que proclamar que não confiamos as nossas crianças a quem não possa ou não queira falar a nossa linguagem. Há que decidir que dialogaremos sobre a infância entre nós, pais e parentes, e que confiaremos então as nossas crianças a quem saiba dialogar connosco, a quem confie na nossa razão e na nossa imaginação.
Há que confiar em que saberemos dizer NÃO a quem se proponha, sem diálogo, cuidar do bem-estar das nossas crianças. Há que resistir àqueles que nos queiram vender, à sombra da nuvem da poluição publicitária, os leites enlatados que desumanizem a relação das mães com os filhos, os brinquedos com que não brincamos nem construímos no diálogo com as crianças e os adultos do nosso clã; as leis, as normas e os regulamentos que nos pretendem impor sem diálogo, numa cultura mecanizada e modelada por padrões que sejam contra as leis naturais do nosso grupo comunitário.
Há que pensar se nos deixaremos dormir, na boa consciência beata de que, quando existe uma lei escrita, ela será cumprida, se dela fizermos a entrega à máquina da administração. Como pode a máquina compreender os direitos fundamentais do Homem e da Criança, se estes têm necessariamente de ser mais sentidos que pensados, mais vividos da emoção do que elaborados pela razão, mais implícitos na actuação de cada um, do que explicitados nos papéis?
Há que proclamar que a criança do Homem, e o Homem, têm direito a pensar os homens, a duvidar das leis e a fantasiar a sua condição infantil e humana, a exigir o direito à fantasia. A fantasia existe dentro de nós, ela é uma criação da nossa relação com aqueles que nos criaram, porque as nossas pessoas se criaram na nossa infância, porque foram obra de criatividade e porque a criatividade não se vende, projecta-se nos materiais de que dispomos.
Há que exigir que se construam escolas, mas há que exigir também que se dêem às crianças as condições para que possam ver dentro de si as suas aspirações, para que as possam projectar em obras e em dádivas para o enriquecimento dos outros e do património cultural da comunidade.
Há que dar à criança dos homens e ao Homem espaço e tempo para que cada um se possa livremente confrontar com modelos da natureza humanizada, da natureza das obras do Homem … Mas o espaço e o tempo não são só utilizados pela natureza humanizada ou pelos utensílios e as máquinas que servem o Homem: são também queimadas em “máquinas de fazer fumo”.
O tempo da criança do Homem gasta-se cada vez mais com máquinas que fornecem de que beber, pensar e imaginar os pensamentos e as fantasias deterioradas daqueles que as vendem.
O espaço ocupa-se com betão, ferro e aço que ultrapassaram a escala humana e consome-se no fogo das máquinas de destruir e dos seus detritos, que no círculo vicioso do nosso bem-estar e da nossa insatisfação, anulam as melhores das intenções.
O CASTIGO REGULAMENTADO
João dos SantosEnsaios sobre educação. – Lisboa, 1982: 1° v: A criança quem é?
22 coisas que pessoas criativas fazem diferente. Quem é criativo vai entender a maioria
22 coisas que pessoas criativas fazem diferente. Quem é criativo vai entender a maioria.
Por WIL
Pessoas criativas são diferentes. Você já deve ter percebido que aquele seu amigo que tem umas ideias malucas se diferencia dos outros em muitas características.
Ou melhor, se você for uma pessoa criativa vai entender o que estou falando só de ler os itens a seguir.
O site Just Something levantou 22 características de pessoas criativas para tentar entender o que as fazem tão especiais… ou pelo menos diferentes.
Se você quer ser um pouco mais criativo, ou atiçar seu raciocínio, talvez seja uma boa seguir essa lista.
1. Pessoas criativas se inspiram nas horas mais improváveis
A verdade é que ninguém sabe quando a próxima grande ideia vai chegar. Isso também serve para os criativos, mas eles sabem que uma hora a ideia chega. Sem mais nem menos, ela chega.
2. Eles sonham acordado
Os criativos podem estar onde quiserem a qualquer momento. Calma, não estou falando de teletransporte. Eles simplesmente se perdem em suas próprias imaginações… e o pior, isso pode acontecer enquanto conversam com você. Faz parte.
3. Eles ficam entediados facilmente
É impressionante como essas pessoas precisam de estímulos quase que constantes para se manterem ativos e alertas. É muito difícil que consigam prestar atenção em algo que não estão interessados. Déficit de atenção ou não, isso faz parte dos criativos.
4. Eles enxergam o mundo com os olhos de uma criança
Uma parte deles nunca amadurece e isso talvez seja o real segredo para a criatividade. Eles observam o mundo com os olhos curiosos de uma criança.
5. Eles vão falhar… assim como vão tentar novamente depois
Criatividade não significa que você está imune a falhas e erros. Assim como as outras pessoas, os criativos também sofrem derrotas na vida… mas o grande segredo é que eles não param em qualquer rejeição. Eles levantam e tentam de novo.
6. Eles escutam que devem arrumar um trabalho de verdade
Muitos criativos não se animam com trabalhos convencionais. Eles querem algo novo, diferente, desafiador… e isso pode ser motivo para sempre ouvir que devem procurar um trabalho de verdade. Meh.
7. Eles seguem seus corações
Há quem diga que as pessoas criativas têm uma tendência de assumir mais riscos e não se preocupar com problemas. Isso pode trazer inúmeros desafios, mas também muito mais satisfação.
8. Eles se perdem no tempo
Não há nada mais prazeroso para os criativos do que criar algo que realmente importe para eles. Isso pode fazer com que esqueçam de comer, beber e até dormir. Quando as ideias fluem, nada mais importa.
9. Eles trabalham quando os outros estão dormindo… e dormem quando os outros estão trabalhando
Os horários convencionais não se encaixam na agenda dos criativos. Eles fazem as coisas quando é melhor para eles.
10. Eles enxergam oportunidades onde os outros veem dificuldades
A maioria dos criativos sabem que o copo está meio cheio.
11. Eles se apaixonam por suas criações em um dia e no outro as odeiam como nunca antes
Isso é um mistério, mas há algo que deixe os criativos inconstantes sobre seus trabalhos.
12. Eles odeiam suas criações em um dia e no outro estão completamente apaixonados por elas
Assim como o #11. Uma loucura.
13. Eles são humildes e orgulhosos ao mesmo tempo
Pessoas criativas sempre estão dispostas a aprender, mas são extremamente orgulhosos quando se trata de suas ideias.
14. Eles estão sempre à procura de novas formas de se expressar
A busca por novidades nunca para. Qualquer que seja o criativo, ele sempre vai procurar (e encontrar) novas formas de expressar o que pensa e sente.
15. Eles procrastinam
Eles vão cumprir horários e entregas, mas é provável que tudo fique para o dia anterior. Ou para as últimas horas.
16. Eles veem o outro lado da moeda
Os criativos sempre observam situações de diferentes pontos de vista.
17. Eles não gostam de limites
Regras e limites, definitivamente, não foram feitas para criativos. É por isso que algumas vezes eles são vistos como rebeldes.
18. Eles não costumam gostar de números
Tente obrigar pessoas criativas a estudar matemática e veja como eles odeiam números.
19. Eles são grandes observadores
Qualquer coisa pode servir de inspiração para os criativos, por isso estão sempre observando pessoas e situações. Até os mínimos detalhes.
20. Eles estão sempre buscando novas experiências
Fugir da rotina é uma ótima maneira de se manterem motivados. Lembra do #3?
21. Eles recomeçam tudo de novo
O recomeço não é um medo de pessoas criativos. Se algo não está bom, recomeçar tudo de novo de um jeito melhor não é um problema.
22. Eles amam
Eles amam a vida, as pessoas, os animais, a natureza… eles amam tudo que é belo e puro. O amor dos criativos pela vida é contagiante e realmente pode transformar relacionamentos. Fique próximo de pessoas criativas, eles vão fazer sua vida um pouco mais interessante.
Essa lista foi feita para pessoas criativas, mas eu digo que também é para aqueles menos criativos, porque no fim todos nós somos criativos. Cada um a sua maneira. ;-)
Avós portugueses são dos que cuidam mais dos netos
Os avós portugueses que cuidam dos netos fazem-no diariamente ao contrário de outros europeus. Esta é uma característica da Europa do Sul, mas em Portugal as mulheres trabalham mais horas, há menos apoios e há mais famílias onde vivem as três gerações na mesma casa, conclui um estudo europeu, que será apresentado terça-feira na Fundação Calouste Gulbenkian.
"Em Portugal, Espanha, Itália e Roménia, onde as prestações sociais pagas aos pais e às mães que ficam em casa são limitadas e onde há pouca oferta de estruturas formais de acolhimento de crianças e poucas oportunidades das mães trabalharem a tempo parcial, os avós asseguram uma grande parte dos cuidados intensivos prestados aos seus netos", explicam os autores do estudo europeu "A prestação de cuidados pelos avós na Europa"
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