Quem escreveu esse interessante artigo foi a
psicóloga Carla
Poppa.
Boa leitura!
Como lidar com os “chiliques” da
criança?
É muito comum que os pais se sintam inseguros sobre
como devem agir diante dos gritos e choros mais intensos das crianças, os
chamados “chiliques”. Alguns pais acreditam que devem ignorar esses
comportamentos, enquanto outros receiam deixar a criança sozinha em um momento
no qual ela parece ter perdido o controle das suas emoções. Essa dúvida sobre
como agir nessas situações é compreensível, já que o comportamento da criança
pode ser semelhante em situações que envolvem sentimentos e sensações
diferentes. Por isso, na maioria das vezes, os pais só conseguem se sentir
seguros em relação à atitude que estão adotando na medida em que puderem
identificar e se sintonizarem com o sentimento que desencadeou esse
comportamento na criança.
É importante, então, tentar discriminar qual o
sentimento que está motivando o “chilique”. É possível que a criança esteja
frustrada e o chilique, seja na verdade uma birra. É possível também que a
criança esteja com raiva ou ainda cansada. Todas essas sensações e sentimentos
podem ser expressos com comportamentos que apresentam algumas diferenças sutis,
mas que, em geral, são muito parecidos (mau humor, choro, gritos…) porque a
criança pequena ainda está aprendendo a verbalizar o que sente. No entanto, para
que esse aprendizado possa acontecer, a criança precisa da ajuda dos cuidados
que os pais lhe oferecem. E eles precisam ficar atentos, pois cada sensação ou
sentimento que a criança experimenta “pede” um cuidado diferente.
O chilique pode ser birra ou a expressão da frustração
da criança.
Em um contexto no qual a criança ouve um “não” e é
impedida de fazer o que deseja, é possível que ela se sinta frustrada e o
chilique seja uma expressão da sua frustração. Se os pais julgam que não é
adequado comprar o brinquedo que a criança está pedindo e ela se joga no chão e
começa a gritar no meio da loja, o cuidado que contribui para o seu crescimento
é o limite. A criança só pode desenvolver a capacidade de tolerar a própria
frustração a partir da capacidade dos seus pais de suportar a insatisfação que
a criança experimenta nessas situações, o que eles demonstram quando
conseguem impor e sustentar o limite. Nessas horas, vale tirar a criança de
cena. Nesse exemplo, sair da loja de brinquedo para que tanto a criança perceba
que não vai conseguir o que deseja agindo dessa forma, como também para que os
pais possam se sentir mais tranquilos sem a pressão dos olhares das outras
pessoas pode ser uma boa ideia. Para que essas cenas não se repitam com tanta
frequência, quando a criança estiver calma, os pais precisam conversar e
explicar o sentido do “não”. A capacidade que a criança tem de entender o
motivo dos limites pode ajudá-la a lidar melhor e a suportar a frustração em
uma situação futura.
O chilique também pode ser a expressão da raiva que a
criança sentiu em alguma situação. É possível que a criança esteja brincando
com os amigos e quando encontra com os pais começa a reclamar, a dar um
“chilique”, negando-se a fazer o que os pais pedem, por exemplo, o que costuma
desencadear uma briga. Essas situações podem revelar que a criança estava
sentindo raiva de algo que aconteceu em um momento anterior, quando estava com
os amigos. É comum os pais entrarem em sintonia com o que a criança está
sentindo sem perceber e sem conseguir pensar sobre o que pode ter provocado
essa irritação, já que essas atitudes, geralmente, são logo rotuladas como “mal
criações”.
Quando isso acontece, os pais ficam impedidos de
oferecer o cuidado que pode ajudar a criança nessas situações. Ou seja, não
conseguem ajudar o filho a contar o que aconteceu, a “desabafar” para que ele
possa aprender a falar sobre o(s) seu(s) sentimento(s), assumindo o controle
das suas ações, em vez de de agir dominado pelo que sente.
Os chiliques também podem ser demonstrações do
cansaço da criança. Essas situações podem ficar mais frequentes quando os
finais de semana são tomados por atividades, privando a criança da
oportunidade de descansar. Ou ainda, quando os passeios com a criança costumam
se estender para atender aos diversos compromissos do dia a dia. Quando a
criança passa do limite do seu corpo e fez coisas demais, é comum que ela fique
mais agitada e precise da ajuda dos seus pais para se acalmar e conseguir
descansar. No entanto, às vezes, durante a agitação, a criança acaba
desobedecendo e fazendo coisas que não deve. Se os pais reagirem a essas
atitudes de maneira agressiva, os choros e os gritos da criança podem tomar
conta da situação e privar a criança do cuidado que ela precisa para
reestabelecer o contato com o seu corpo e a sua sensação de cansaço.
Assim, se a criança começar a chorar, gritar,
espernear, o primeiro passo (o mais importante) é fazer essa diferenciação
e tentar identificar qual sensação ou sentimento está motivando o
chilique. É dessa forma que os pais podem oferecer com maior segurança o
cuidado que contribui para o crescimento dela.
Quem escreveu esse interessante artigo foi a
psicóloga Carla
Poppa.
Boa leitura!
Como lidar com os “chiliques” da
criança?
É muito comum que os pais se sintam inseguros sobre
como devem agir diante dos gritos e choros mais intensos das crianças, os
chamados “chiliques”. Alguns pais acreditam que devem ignorar esses
comportamentos, enquanto outros receiam deixar a criança sozinha em um momento
no qual ela parece ter perdido o controle das suas emoções. Essa dúvida sobre
como agir nessas situações é compreensível, já que o comportamento da criança
pode ser semelhante em situações que envolvem sentimentos e sensações
diferentes. Por isso, na maioria das vezes, os pais só conseguem se sentir
seguros em relação à atitude que estão adotando na medida em que puderem
identificar e se sintonizarem com o sentimento que desencadeou esse
comportamento na criança.
É importante, então, tentar discriminar qual o
sentimento que está motivando o “chilique”. É possível que a criança esteja
frustrada e o chilique, seja na verdade uma birra. É possível também que a
criança esteja com raiva ou ainda cansada. Todas essas sensações e sentimentos
podem ser expressos com comportamentos que apresentam algumas diferenças sutis,
mas que, em geral, são muito parecidos (mau humor, choro, gritos…) porque a
criança pequena ainda está aprendendo a verbalizar o que sente. No entanto, para
que esse aprendizado possa acontecer, a criança precisa da ajuda dos cuidados
que os pais lhe oferecem. E eles precisam ficar atentos, pois cada sensação ou
sentimento que a criança experimenta “pede” um cuidado diferente.
O chilique pode ser birra ou a expressão da frustração
da criança.
Em um contexto no qual a criança ouve um “não” e é
impedida de fazer o que deseja, é possível que ela se sinta frustrada e o
chilique seja uma expressão da sua frustração. Se os pais julgam que não é
adequado comprar o brinquedo que a criança está pedindo e ela se joga no chão e
começa a gritar no meio da loja, o cuidado que contribui para o seu crescimento
é o limite. A criança só pode desenvolver a capacidade de tolerar a própria
frustração a partir da capacidade dos seus pais de suportar a insatisfação que
a criança experimenta nessas situações, o que eles demonstram quando
conseguem impor e sustentar o limite. Nessas horas, vale tirar a criança de
cena. Nesse exemplo, sair da loja de brinquedo para que tanto a criança perceba
que não vai conseguir o que deseja agindo dessa forma, como também para que os
pais possam se sentir mais tranquilos sem a pressão dos olhares das outras
pessoas pode ser uma boa ideia. Para que essas cenas não se repitam com tanta
frequência, quando a criança estiver calma, os pais precisam conversar e
explicar o sentido do “não”. A capacidade que a criança tem de entender o
motivo dos limites pode ajudá-la a lidar melhor e a suportar a frustração em
uma situação futura.
O chilique também pode ser a expressão da raiva que a
criança sentiu em alguma situação. É possível que a criança esteja brincando
com os amigos e quando encontra com os pais começa a reclamar, a dar um
“chilique”, negando-se a fazer o que os pais pedem, por exemplo, o que costuma
desencadear uma briga. Essas situações podem revelar que a criança estava
sentindo raiva de algo que aconteceu em um momento anterior, quando estava com
os amigos. É comum os pais entrarem em sintonia com o que a criança está
sentindo sem perceber e sem conseguir pensar sobre o que pode ter provocado
essa irritação, já que essas atitudes, geralmente, são logo rotuladas como “mal
criações”.
Quando isso acontece, os pais ficam impedidos de
oferecer o cuidado que pode ajudar a criança nessas situações. Ou seja, não
conseguem ajudar o filho a contar o que aconteceu, a “desabafar” para que ele
possa aprender a falar sobre o(s) seu(s) sentimento(s), assumindo o controle
das suas ações, em vez de de agir dominado pelo que sente.
Os chiliques também podem ser demonstrações do
cansaço da criança. Essas situações podem ficar mais frequentes quando os
finais de semana são tomados por atividades, privando a criança da
oportunidade de descansar. Ou ainda, quando os passeios com a criança costumam
se estender para atender aos diversos compromissos do dia a dia. Quando a
criança passa do limite do seu corpo e fez coisas demais, é comum que ela fique
mais agitada e precise da ajuda dos seus pais para se acalmar e conseguir
descansar. No entanto, às vezes, durante a agitação, a criança acaba
desobedecendo e fazendo coisas que não deve. Se os pais reagirem a essas
atitudes de maneira agressiva, os choros e os gritos da criança podem tomar
conta da situação e privar a criança do cuidado que ela precisa para
reestabelecer o contato com o seu corpo e a sua sensação de cansaço.
Assim, se a criança começar a chorar, gritar,
espernear, o primeiro passo (o mais importante) é fazer essa diferenciação
e tentar identificar qual sensação ou sentimento está motivando o
chilique. É dessa forma que os pais podem oferecer com maior segurança o
cuidado que contribui para o crescimento dela.




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