quarta-feira, 17 de setembro de 2014
E talvez comece assim.
E talvez comece assim.
A vida de palavras. Não éramos nada sem elas. De palavra em palavra se constroem pessoas. De pessoa em pessoa se constroem mundos. Mundos de palavras. Mundos de pessoas. As palavras curam. Constroem pontes. Derrubam teorias. Condensam experiências. Maltratam e magoam. Dão luz e esperança. Permitem reconstruir e avançar. Dão significado ao que se viveu. Intensificam o que se vive. Talvez cada vida seja um somatório das palavras vividas. E ditas, para si sussurradas em silêncio. Ou faladas, em todas as conversas tidas e ouvidas. E talvez de todas, as palavras de amor sejam as responsáveis pelo significado de todas as outras. Vidas condenadas em palavras. Palavras que condensam significados de vidas. Cada palavra com harmonia própria. Com tom certeiro. Com enredo. Com cenário. Construindo finais felizes. Ou tristes.
Gosto tanto de palavras. Não sou todas as que escrevo. Não vivo todas as que leio. Não sou todas as que digo. Abraço em mim, todas as que sinto. E conheço o pouco que de mim vive, pela forma como abraço todas elas em mim. Transbordam em mim, todas as que danço e demonstro. Talvez a sua versatilidade, lhes traga o seu primor. Ditas, são efémeras. Expressas, são para toda a vida. Dou vida às vidas que na minha vida se cruzam. E só as palavras me permitem gritar, chorar, esperar, sonhar, desejar, aceitar, parar, respirar, aquietar, sorrir e amar. Porque me descobrir a amar, nas palavras. E sem elas, não saberia viver.
Se isto começa assim, aguardaremos o fim.
Diana
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